Falta de UTI neonatal e ambulância pode ter causado morte de bebê em GO, diz família
01:56em 01/11/2012
Uma família de Aparecida do Rio
Doce, diz que a falta de vaga em uma UTI neonatal e de ambulância podem
ter causado a morte de um bebê. A criança morreu em uma maternidade de
Rio Verde.
Enviado em 06/04/2011 Jornal da Vitoriosa - 06/04/11 - Recém-nascido morre por falta de UTI Neonatal em Ituiutaba Reportagem: Gabriela Ceschin Imagens: Wallace Ricardo
Atualizado em: 19h42min "É impraticável ter UTI neonatal em cada maternidade", diz diretora.
O bebê Cauã, de Caçapava, que nasceu
prematuro na Fusam, hospital da prefeitura ficou 36 horas
aguardando transferência para uma UTI neonatal. A família está
indignada. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, o número de
leitos de UTI neonatal na região é mais que suficiente. Mas, dessa vez,
todos estavam ocupados. A mãe do bebê chegou a passar mal e precisou ser
amparada pela família no enterro. Todos estão revoltados com a demora
em conseguir um leito de UTI neonatal.
Cauã nasceu prematuro de
sete meses na segunda-feira, com apenas 1, 350 kg. A gravidez da mãe já
era de risco. O laudo médico da Fusam mostrou que a criança precisava de
suporte respiratório e de cuidados especiais de UTI neonatal. O
hospital não tem essa estrutura e pediu a transferência do bebê. Somente
à noite a família teve uma resposta. "Só conseguiu a vaga depois que a
Vanguarda esteve lá no hospital. Aí sim foi arrumado duas até. Uma lá em
Santo André e uma em Lorena. Só que daí já era tarde", comentou Rosimar
Isabel Prado, avó da vítima.
O estado diz que disponibilizou a
vaga às 18h desta terça. Segundo a prefeitura, o hospital de Caçapava
não tinha uma UTI móvel para fazer a transferência. A ambulância foi
enviada pelo hospital de Santo André. Mas a criança morreu antes de ser
transferida. O relatório médico aponta que a criança teve parada
cardiorrespiratória. Morreu às 22h20. "A gente fez o que pôde e acabou
não fazendo nada, né. O menino morreu e o prejuízo está aí", lamenta a
avó.
As vagas do sistema único de saúde estão divididas da
seguinte forma: Lorena e Pindamonhangaba têm 7 leitos de UTI neonatal
cada uma. Em Guaratinguetá, há 6 vagas. Taubaté e Caraguatatuba têm 10
leitos cada. Em Jacareí há 8. E em São José dos Campos, 20. Totalizando
as 68 vagas.
Uma UTI neonatal deve ter respiradores, monitores
cardíacos, bombas de fusão, e uma equipe especializada de médicos e
enfermeiros de plantão. Segundo a diretora médica do Hospital Municipal
de São José dos Campos, somente hospitais de referência têm essa
estrutura. E por isso muitas vezes eles trabalham no limite. "A gente
tem uma ocupação, mais de 90% da UTI. Ela é cheia. Porém, existem
períodos e intervalos curtos que podem estar mais vazios. É impraticável
ter uma UTI neonatal em cada maternidade. Por isso que existe um
cálculo de leitos necessários para a região dependendo do número de
nascimentos previstos", explicou a diretora médica Lin Hung Hua.
A
prefeitura de Caçapava informou que o município só possui convênios
para atendimentos em casos não tão graves. Sobre a demora na chegada da
ambulância, a prefeitura disse que não possui o veículo, porque ele
também faz parte de atendimentos de casos graves. Mas a Secretaria
Estadual de Saúde informou que cabe, sim, à prefeitura, fornecer o
transporte por ambulância. A Fusam não comentou o assunto.
Faz tempo que aconteceu, mas a dor da mãe desse anjinho ainda está igual ao dia em que ela perdeu seu filho. Ele, pela testemunha da tia, nasceu vivo. Ela mostra os pés do anjinho com a tinta do carimbo usada para fazer a declaração de NASCIDO VIVO, então ele foi entregue sem vida à mamãe dele por quê? E como a tia diz, ele não era um cachorrinho para ser colocado em UMA CAIXA DE PAPELÃO e ser entregue assim à família,
A falta de UTIs pediátricas se transformou num risco para os
recém-nascidos gaúchos que precisam de atendimento especial. Só este ano
duas crianças morreram por falta de vagas num hospital de Gravataí
(RS). Atualmente, o Rio Grande do Sul possui quase 260 leitos de UTI
pediátrica, dos quais 194 são destinados ao SUS. Um número defasado,
segundo o Ministério Público. Em um dos casos, uma menina recém-nascida precisou de atendimento por um
problema no coração, mas não conseguiu vaga na UTI. O Conselho Tutelar
da cidade ganhou uma ação para garantir um leito para o bebê, mas já era
tarde demais.
(vídeo gravado pela câmera da Tati, na TV de casa).